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sábado, 5 de Dezembro de 2009

O meu papiro





Na tua pele escrevi o meu poema
Na tua boca bebi o teu
E no calor do teu peito
Encontrei o meu descanso


Olhar os teus olhos
Foi ver o céu, o mar,
E estrelas a cintilar
Quando olharam os meus


E nesse bailado
De amor dançado
Num abraço quente
Nesse beijo ardente
De que ainda sinto o sabor
Dessa mão de que ainda tenho o perfume
Sei que veio o significado do amor


E foi tão fugaz
Essa sensação de ti…
Mas perdurarás
No meu coração




Delfim Peixoto © ®

segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Já não me minto






Já não tenho tempo para o tempo
Ou sossego para essa calma
Gasto as palavras trocando-as por sílabas
Persistindo em monossílabos


Já não tenho frases
Perdi as pontuações
E as orações
Desaparecem em equações


Já não vejo cores
Vislumbro neblinas,
Do prazer as dores
Tornam-se meninas


Já não sinto, nem pressinto
E dá-me a sensação de estar enfartado
De rimas versejadas sem sentidos


Já não me minto
Porque não me acredito mais
Mas no papel ainda pinto
O canto dos pardais




Delfim Peixoto © ®

Tudo é Tempo






Tudo é reflexo,
Tudo é uma resposta,
Mesmo nas interrogativas
Formuladas nas afirmações


Tudo é resultado,
Mesmo a própria origem
Tudo é viagem
Mesmo que parado


Tudo é pertinente
Mesmo que extemporâneo
Porque nada acontece
Sem o próprio tempo


Tudo é origem
Tudo é resultado
Tudo é questão
Mesmo na afirmação


Delfim Peixoto © ®

Decididamente





Aos meus amigos e leitores!
Decidi continuar a minha participação na rede bloguística  com o " Sussurros " e o "Poemas ao Luar". O "transparências" fica hoje levemente afastado . Na verdade, é complicado escrever diáriamente, não por falta de assuntos, mas sobretudo por falta de tempo.
Desta forma, irei prosseguir com uma participação menos assídua, até conseguir inventar uns segundos a mais no tempo que foge pelos dedos
Obrigado!



Delfim Peixoto © ®

sábado, 28 de Novembro de 2009

Tudo acaba, ou recomeça?






Tudo começa num grito,
Num choro sofrido
Tudo acaba num suspiro
Num sereno aceno a tudo


Tudo recomeça do nada
Até o próprio amor
Em vida acabada
Em choro de dor


Tudo começa,
Tudo acaba,
E o entretanto
É a vida que se recomeça


Tudo acaba,
Tudo começa
Numa luz enfeitiçada
Que esperamos nos aqueça



Delfim Peixoto © ®

A morte chega cedo






A morte chega cedo,
Pois breve é toda vida
O instante é o arremedo
De uma coisa perdida.
O amor foi começado,
O ideal não acabou,
E quem tenha alcançado
Não sabe o que alcançou.


E tudo isto a morte
Risca por não estar certo
No caderno da sorte
Que Deus deixou aberto.






Fernando Pessoa





sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Até Sempre...

Tio Zé Machado
27/11/09
e
Tia Ró
 28/11/09

A vida não passa de uma oportunidade de encontro;
só depois da morte se dá a junção;
os corpos apenas têm o abraço,
as almas têm o enlace.


Victor Hugo








 "SC BRAGA ESTÁ DE LUTO
2009-11-28


O SC Braga está mais luto devido ao falecimento de José Bastos Machado, antigo atleta de eleição do SC Braga, que dignificou o nosso Clube nas pistas de atletismo na década de 30 do século passado. A missa de corpo presente realizar-se-á amanhã, dia 29 de Novembro, na Igreja de São Lázaro, ás 10h00, seguindo-se o funeral no cemitério de Monte D’ Arcos. À família enlutada, o SC Braga envia os mais profundos pêsames."
Foi ainda Director desta Instituição dando muito do tempo da sua vida ao espírito desportivo!


Sua esposa, Rosa de Macedo Peixoto ( Sócia da Antiga Casa dos Pianos de Braga, rua de S. Marcos e Biblioteca Musical, Rua Cândido dos Reis, Porto), Professora aposentada,  faleceu no dia seguinte depois de um acidente . Caiu pelas escadas de sua casa, no momento em que procurava ver a partida da ambulância que transportava seu marido, entrando num estado de coma. A data do funeral é a mesma, amanhã, 10  horas, Igreja de São José de S. Lázaro, Braga.
Foram companheiros ao longo da vida, dando aos seus familiares o calor e amor que deixarão saudade.


quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Encontra-me





Não me procures nas estrelas,
nem tentes encontrar-me no céu,
tenta encontrar-me dentro de ti
e não me esperes à janela,
antes me abre a porta
e fecha-a depois
de eu entrar


Delfim Peixoto © ®

Inspiração



Da janela espreito e vejo uma árvore
Agarrando os ramos que seguram as folhas
Que teimosamente caem devagar
No chão de erva verde, tapete macio


Os raios de sol amarelados,
Tomam o lugar dos feixes
Vermelhos e quentes
De Verão


A humidade sente-se na vidraça
Que escorre em gotículas que brincam
E caem lentamente


Da janela vejo o tempo,
Sinto as estações
E espero da brisa 
 A inspiração


Delfim Peixoto © ®

Solto a voz


Delfim Peixoto © ®

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Razão!



A Razão resulta da Emoção!
A Emoção resulta da falta de Razão!


Delfim Peixoto © ®

sábado, 21 de Novembro de 2009

Poeira




Renasce a desilusão de não ver o sol
Caindo a tristeza do céu outra vez
Envolvendo no ambiente a dor do vento
Que recomeça a soprar


Sossegado estava o caminho
Ora antes caminhado
Mostrando agora somente terra
Onde antes era relvado


Já nem flores nele queria
Somente a morte da poeira
Que nos fere a visão
E nos tira a respiração


Mas sobram ainda forças
Para a água ir buscar
Para essa névoa escura
Podermos matar




Delfim Peixoto © ®

Cogumelos e Política



Não há dúvida! Há que ter muito cuidado com a apanha dos cogumelos, pois há os que são saudáveis e saborosos mas também há os que só se comem uma vez.
Ora, isto acontece também com os políticos e as políticas: parecem comestíveis, são atraentes, abrem o apetite e até fazem crescer água na boca. Porém, depois de “cozinhados”, verifica-se pelo sabor que são iguais.
Na questão da Educação, é o que acontece neste momento em Portugal. O Povo semeou uma nova “ seara”, mas as sementes sofreram uma mutação tal que creio não ser aconselhável colher os frutos pois podem ser fatais.
O PSD, no seu Programa eleitoral prometeu SUSPENDER a Avaliação dos professores, facto que não vem a acontecer juntando-se ao PS e ao Governo no “cozinhado” já cheio de bolor e acidez.
Assim, nas próximas sementeiras, não nos esqueçamos de escolher bem as sementes para podermos ter uma boa colheita.
Aqui para nós, já diz o velho ditado: Se colocares maçãs boas junto de uma podre, ficarás com uma taça de fruta estragada.


Delfim Peixoto © ®

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Não perguntes por mim




Não queiras perguntar por mim
Não fales sobre nós
Afinal é melhor assim
Esconder esses desatados nós


Não procures no luar
A luz que viste nos meus olhos
Não soubeste ver o meu olhar
No olhar que te olhei


Não queiras saber de mim
Porque já nem eu me encontro
Nas palavras que escondo
E me desencontro


Não queiras perguntar por mim
Nem o vento sabe onde estou
Nem imagina para onde vou




Delfim Peixoto © ®

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Sossego






São seguros os meus passos que atravessam essa ponte
Como certa a direcção que defino como destino
A visão atravessa esse limbo e nebuloso caminho
Mirando no horizonte o ponto de chegada


Abstraio-me do descanso oferecido
Prosseguindo nessa vontade decidida
Aceitando as luzes que me acompanham
E aquecem a solitária caminhada


O frio estala na face, arrepia a alma
Mas aquece-me o calor que me espera
Passada essa jornada


Já só me falta chegar
E no sossego me abraçar!




Delfim Peixoto © ®